Repertório em Cartaz - MÓS AI QUÊ (2016)

 

 

 MÓS AI QUÊ (2016)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

João das Dores – (recuperando-se) Cada vez que subo nesse palco... Meu corpo morre um pouco.

Armando Trama – (refletindo) Bonito isso.... Pura poesia!

Zé Galhofa – (risonho) poesia de dor nos quartos dos outros é refresco.

Armando Trama – Mas, se é bonito, vou dizer que não é?!

 

Foto: Estudio SG

 

Um Grupo de Teatro é feito de histórias de vida, amores, doçuras e dissabores que juntas dão forma a boas estórias. A aventura de se caminhar junto durante tanto tempo fazendo o que se faz, sendo quem se é e acreditando no que se acredita é o combustível que impulsiona, implanta o caos, a serenidade, os conflitos e as celebrações. Foi pensando em tudo isso, a partir das reflexões sobre o momento atual do nosso país e nas reverberações dos processos internos do Grupo, que decidimos encenar esse novo espetáculo de repertório. 

A ideia surgiu durante a montagem e apresentações do sarau Folia e Poesia (2015), quando revisitamos a dramaturgia e o universo poético das montagens encenadas nesses treze anos de trajetória do Finos.

Misturando ficção e realidade, MÓS AI QUÊ é uma exposição corajosa da intimidade do Finos, síntese de muitos processos que outros coletivos vivenciam Brasil e mundo afora, colocando em destaque as relações interpessoais e os desafios de conviver em coletividade, moldando as idiossincrasias e subjetividades num grande mosaico que compõe nossas escolhas de vida e ideais.

MÓS AI QUÊ expõe a crise.

A crise que vivemos como coletivo há treze anos convivendo e fazendo teatro no nordeste brasileiro; as crises próprias dos processos criativos nas artes cênicas; a crise de lidar com os contextos socioeconômicos desfavoráveis; a crise das pessoas que nos deixaram para vivenciar suas próprias trajetórias particulares; a crise de quem nos deixou para transcender ao mundo físico; a crise de valores alavancada pela ascensão conservadora atual; a crise sociopolítica e os tempos sombrios que vivenciamos nos últimos anos... Mas, acima de tudo, a crise como espaço de surgimento da novidade, da possibilidade de reflexão sobre quem somos, quem fomos e o que queremos. A crise não como um fim, mas um recomeço. 

 

Foto: Estúdio SG

 

No argumento da peça, entre as variadas comédias e dramas que passam, três artistas de um Grupo de teatro reviram seus imaginários criativos a fim de encontrar uma arrebatadora estória para seu novo trabalho e enfrentar a crise em que vivem.   Durante a jornada, visitam o mosaico de seus antigos personagens inspirados no imaginário sertanejo e procuram um novo sentido para continuarem trabalhando juntos. A linguagem, inspirada na estética regionalista, proporciona ao espectador a sensação de adentrar no imaginário e no universo árduo e delicado da criação artística.

Os elementos visuais, que remetem à cultura nordestina – principal reduto das criações do Finos   Trapos,   compõem    uma   diversidade   de   signos   que representam o desnudamento do inconsciente coletivo sobre o artista sertanejo a partir da poética de encenação explorada pelo Grupo.

 MÓS Aí QUÊ é um convite ao público para conhecer o universo dos processos de criação artística e entender a crise como oportunidade de sair da zona de conforto para alçarmos novos vôos, explorando territórios desconhecidos. Permeado de elementos autobiográficos, o espetáculo mistura ficção e realidade para desnudar aos espectadores os percalços, lirismo e poesia que compõem o mosaico de vivências, aventuras, afetos, encontros e desencontros de um grupo de teatro. 

 

Foto: Estúdio SG

 

Com encenação de Frank Magalhães e dramaturgia de Francisco André, o espetáculo estreou em dezembro de 2016 no Teatro Gamboa Nova e é o mais recente trabalho de repertório do Grupo de Teatro Finos Trapos. 

Para além da poética de encenação, que visa uma reflexão sobre o universo dos artistas nos tempos sombrios e instáveis em que vivemos, o espetáculo é uma retomada do Grupo aos seus referenciais estéticos de origem, promovendo um diálogo entre tradição e contemporaneidade na cena baiana e nordestina.

Prenhe de lirismo e delicadeza, com trilha sonora original composta e  interpretada pelos membros do coletivo, MÓS AI QUÊ segue o desafio imposto pelo coletivo de lançar luz a processos criativos que busquem o aprofundamento interpretativo dos atores e a construção de personagens marcantes. Isso demarca um passo adiante na pesquisa poética do Grupo, que na grande maioria dos trabalhos anteriores investiu na pesquisa de personagens tipo e de uma representação calcada na forma, na suspensão da tensão dramática, no delineamento de partituras corporais e nos desenhos imagéticos frente à caracterização psicológica de personagens. 

Nesse novo trabalho conseguimos dosar lirismo e drama, forma e conteúdo, onde a metalinguagem passa de efeito de suspensão da ação para tornar-se parte integrante da estrutura do drama.

 Foto: Estúdio SG

 

 

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